GINJINHA SEM RIVAL

Rua das Portas de Santo Antão, Nº 7 - Lisboa
(mapa)

 
Ir à Ginjinha pela primeira vez era um daqueles rituais que passava de pai para filho. Era como ir ao alfaiate mandar fazer o primeiro fato ou como ir às Lolas a Espanha (vamos pôr aqui umas reticências) …
 
Hoje em dia já se lá vai parar com qualquer guia mas ainda foi o meu pai que me levou à ginjinha, pela primeira vez, e me apresentou a esse interessante casal, o Eduardino e a Ginjinha sem Rival. Não posso dizer que me lembro como se fosse ontem porque, entretanto, já lá fui muitas vezes mas posso dizer que esta casa, fundada entre 1890-1892, virou lugar de procissão.
 
Abílio Coelho, mais conhecido por Sr.Coelho já cá está há quase 40 anos e mantém uma boa disposição invejável. Tão lendário como o gesto que faz para servir “com ou sem elas”, só o posterior limpar do balcão, qual Karaté Kid. Coisa formidável de se observar enquanto se beberica.
 
Para além da boa conversa (que é de graça) aqui vende-se Vinho do Porto, aguardente, bagaço, capilé e até umas garrafas de água para confundir. Famosa era a sua salsaparrilha que já lá vai. Mas as estrelas da companhia são mesmo a Ginjinha Sem Rival (e modesta, bem se vê) e o inesquecível Eduardino, em homenagem a um palhaço do Coliseu (e muito bom para a tosse).
 
E eu vou lá e pergunto assim:
 
- Ó Sr. Coelho, a que horas é que abre aqui a sacristia?
- Menina, isto abre às 7 da manhã.
- Xiii, e a partir de que horas é que começa a servir ginjinhas?
- Menina, isto abre às 7 da manhã! É sempre a aviar.
 
(faço cara de reticências).
 
É vir portanto a qualquer hora com os filhos, os amigos, os alfaiates e até com as Lolas, que estas pomadas caem sempre bem. Olhem, caem “que nem ginjas”….
 
Deixo-vos com a cartilha ou “os 10 mandamentos para aviar uma ginjinha”:

1-Há “com” ou “sem” mas o verdadeiro apreciador pede sempre “com elas”.
2-Ginjas não são azeitonas e isto não é um mini-Martini.
3-Ginjinha que é ginjinha é em copo de vidro. Plástico é coisa prós camones.
4-Ginjinha não é shot, não é para beber de penalty, sem mãos e a arder.
5-Ginjinha não se bebe a meias.
6-Ginjinha nunca se bebe só uma.
7-Ficar com as mãos peganhentas faz parte. Hidrata e perfuma.
8-Não se pede uma ginjinha por causa dos anti-oxidanteszinhos.
9-Não se pode provar e dizer que é tipo Mon Cherry.
10-Se se quiser variar pede-se um Eduardino. É a única opção honrada possível e é sempre uma saída airosa.

 
 
Prepare your liver because once you get a taste of Ginjinha, it’s going to be hard to stop. Ginjinha is a liqueur made from morello cherries and for the portuguese people, it’s more than a drink, it’s a ritual. This small shop serves their home made ginjinha since 1890. It opens early at 7 am for the die-hard locals and it’s always crowded with Ginjinha lovers. When you get here ask also for the Eduardino, an old recipe made from aniseed…. A must-try.

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