GINJINHA ESPINHEIRA

Largo de S. Domingos, Nº8 - Lisboa
 
Nunca percebi lá muito bem aquela história do copo marcado com uma risquinha azul na zona da gorda cintura, à laia de Equador. Se os fígados não aguentam mais bagaço do que o que nada até aquele aborrecido horizonte, porque não servi-lo em copos de brincar? E perguntam vocês muito bem, o que é que isto tem a ver com a Ginjinha do Rossio? Tudo. É que também ela tem uma medição absurda dizendo que ali não cabem mais que 8 pessoas...
 
Podemos imediatamente concluir que nem aquele copo riscado, nem aquele sinal do capeta foram inventados por alguém neto de Viriato. Pois copo que é copo enche-se até cá a cima, como a fonte da Quinta das Lágrimas quando se deu aquela shakespeareada à portuguesa, e Ginjinha que é Ginjinha leva pelo menos 20 pessoas, apertadas e suadas, peganhentas e felizes, a tomar a dose de xarope de mindinho hifenizado.
 
Diz que tal elixir foi obra de um monge da Igreja de Santo António, de seu nome Francisco Espinheira, que, não sei bem em devoção a que auréola, deixou a macerar ginjas em aguardente, com açúcar, água e canela. Daí até a água benta começar a ser vendida pelo próprio do galego foi um "olé", e o resto da história é uma casa cheiínha de 8 pessoas, desde 1840.
 
Hoje em dia os monges são outros, o Sr. Fernando, sorridente na sua bigodaça de Astérix já leva 30 anos de balcão e consegue fazer a coisa de olhos fechados, já o Sr. Zé serviu a primeira "com elas" há 14 anos e nunca mais parou, quanto ao Bruno, é o noviço de serviço e não consta que seja abstémio. 
 
Além deste néctar premiado lá no estrangeiro, também servem Capilé Espinheira numa linda garrafa Arte Nova, bagaço e outras bebidas para gente pouco informada. Pode comprar tabaquinho e ficar na palheta com os outros fiéis mas se for da nobre raça dos tímidos tem boa literatura pintada para se entreter a ler:
 
"É mais fácil com uma mão
dez estrelas agarrar,
fazer o sol esfriar, 
reduzir o mundo a grude, 
mas ginja com tal virtude
é difícil de encontrar"
 
E eu acredito piamente mas não vou deixar de procurar.
 
 
If you want to taste the flavour of the true portuguese soul, you have to try Ginjinha. It's a ruby liquour made of morello cherries and you take it in dwarf size cups but don't underestimate it's power.., although it can be as sweet as the first love, it's not for the faint of heart. Legend has it that Ginjinha was made by a monk, a well intentioned one, and then it became our holy drink. This place has been selling it for almost 200 years. Come in and taste why...

Comentários

Essa loja de ginjinhas, ou seria um bar, é simplesmente uma visita fundamental para quem vai a Lisboa e quer apreciar os sabores locais. A bebida tradicional, esse licor, é ótima, a melhor de todas que tomei em Portugal e deve ser pedida com a frutinha dentro do copo. O local é pitoresco, antigo, tradicional, vale a visita. Um ponto turístico que não deve ser esquecido. Depois de um copo, ou dois, não mais, visite a chapelaria antiga que há ao lado, no mesmo Rossio. Trouxe para o Brasil uma garrafa da Espinheira e uma boina da chapelaria, ambas de excelente qualidade.

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